faz quase um ano e ainda é recente toda a memória desde o último verão. é sempre assim quando chega dezembro. é quase lá, quase natal, quase reveillon.
nessa manhã, o sol saiu mais forte. deve ser a proximidade das férias e do tempero de mãe. da praia até o fim do dia, de gargalhadas longas e copos vazios. deve ser saudade amarrada num laço de fita quase froxo porque o final de semana se aproxima.
copacabana se enche de pacotes e sorrisos. tem tambem os presépios pela orla e a vontade grande de não dormir a noite.
é só o primeiro dia do mês doze e eu já me enrolo em listas, simpatias e expectativas. da mudança que fiz e guardei as caixas. das contas que faltam pagar e da passagem que vou comprar agora.
Eu peguei as chaves e resolvi devolver. Bati três vezes, fiz um samba na sua porta. Ninguém atendeu.
Nossas paralelas entortaram na imensidão do só. O tempo virou na esquina e os passos continuaram largos. Enfiei as chaves no bolso e pisei forte nas pocinhas que se formaram de mim. Preciso cumprir as coisas da rotina e abandonar o telefone, o perfume, as memórias. E vou mentalizando as listas e os prazeres. Pra juntar tudo e deixar você de lado.
Achei uma entrada pro filme das cinco e meia. Achei uma chance.
Não faz muito sentido falar de tempo e filosofias. É a rotina! Veja bem: há urgência nessa vida! E Marx, Hegel e tantos outros fazem muito sentido quando sobra tempo. Mas ás vezes, o próprio rumo das coisas cala as dúvidas. É o ritmo do acaso e das coincidências: o obscuro dos laços desamarrados dos amores e dos prédios novos que a cidade traz poluindo e colorindo os dias de ônibus lotado. Não ter as respostas pode até ser bom.
São tantos livros complicados, de nomes do século passado só para explicar a dor no coração, a vontade fora de hora e aquele monte de coisa que é naturalmente humana.
Existir é simples, pesado e agora. E é também uma delícia, um bolo quente sobre a mesa. Sábio mesmo é quem consegue ir pulando fases como em jogos de vídeo game e vive quase por encantamento. Já dizia Hegel: “nada de grande realizou-se no mundo sem paixão”. A falta da paixão é a culpa do arrependimento, é o pai do filho na hora errada. Há o caminho de quem escolhe arriscar ou viver sob medida. E tem também os que amam viver sob medida!
Filosofia é coisa que se constata, meu caro e da uma sensação barata de “eu já sabia” e um segundo depois, não ter resposta de nada. Porquê no final, resta um “e daí?” das mínimas coisas. E ai de quem não questiona um pouco a existência – morre seco. Convenhamos, morrer assim, sem um instante final de brilho no olhar, é a coisa mais sem graça de ter vivido!
brincando de haikai. (haiku pro rafael de todos os céus.)
Publicado maio 3, 2009 r Uncategorized Deixar um Comentárioflor no cabelo
quem brilha em sol quente
não vira vela.
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água na bacia
água de coco verde
no verão fresco.
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bem frio na cama
uma hora, ela cansada
ele teima em vir.
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vento que chora
tece saudade grande
no travesseiro.
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sombra acalma
refresca e aquece
em qualquer lugar.
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e morria todo dia um pouquinho.
no sol quente, no olhar atravessado da chefe,
na fatura do cartão e na falta dele antes de dormir.
viveu de aparências
deixou o país e voltou
só pra morrer mais
simples assim.
as mãos esfriaram e era experiência. não havia ali sequer uma gota de paranóia. a entropia da divisão.
poderia ser uma porção de coisas, mas era só finalzinho.
tenho alguns irmãos. para todos os gostos. pessoas completamente distintas e que vivem a vida individual sem culpa. não ligam, não contam uma novidade, não anunciam o carro novo, nem a gravidez da esposa, nem chamam pra ir ao cinema. é assim entre todos e são vários. 4 homens. três pra um lado e um pro outro. e os três também são um pra cada hemisfério.
cresci os vendo por aí. quando menor, em festas da família; mais velha, nos enterros. e a gente vai compartilhando dores agudas da vida raramente. de forma intensa, óbvio. não há razão nessa vida para discrição. muito menos, para vozes baixas quando o sangue é quase igual. entre eles não existe respeito, mas se eu piso, é mais bonito.
gosto de todos. desde sempre. mesmo que eu fale mal de longe, sabendo detalhadamente dos defeitos ou sem compartilhar muita coisa… são dificeis. cada um a seu modo. quase impossíveis. mas eu gosto até disso e talvez eles nem saibam. talvez eles não saibam que por mais que eu não tenha esperado também, meu domingo no sofá poderia ter sido bem melhor num barzinho ao lado de qualquer um deles.
o chato dessa racinha, ne?, a carencia escondida que nem é tão escondida assim. é que não da tempo, é que tem trabalho, é que tem filho, tem relacionamento, horário, tem amigos, viagens… e vai deixando pra lá.
mas aqui é meu, né? e sentir e matar saudades é coisa forte. bem forte!
Suje os pés na lama
E venha conversar comigo
Comigo
Chore, esqueça o drama
E venha aliviar
O amigo
Vem, não tenha medo
Não tenha medo
Não tenha medo, não
Vem, não tenha medo
Não tenha medo, não
Vem, não tenha medo
A barra está pesada
Vem, não tenha medo
A barra pode aliviar
As pessoas são uns lindos problemas
Eu posso até acreditar
Eu acho tudo isso uma grande piada
Ou então eu não posso achar
Não me espera pra beber seu veneno
E nem pra ver você chorar
Demoro o tempo que for necessário
Eu moro longe
Eu posso nem chegar
Demoro o tempo que for necessário
Eu moro longe
Eu posso não voltar
Demoro o tempo que for necessário
Eu moro longe.
